Bernardinho revela “vazio” busca novo desafio e não descarta a política

Após 16 anos à frente da seleção masculina de vôlei, o técnico Bernardinho busca um novo desafio na carreira. O treinador segue à frente do Rio de Janeiro, que lidera a Superliga Feminina. Apesar de a quadra ser uma “terapia”, diz que está em um momento de “desconforto” e se prepara para uma nova fase.

– Eu me coloquei em uma zona de desconforto absoluta. Eu estou vivendo no desconforto. Eu não sei muito bem como é sinto, porque eu nunca vivi assim. O que eu estou fazendo mais hoje, além de dar treino para o Rio e trabalhar muito, eu tenho lio muito. Tenho tentado estudar. Para que nessa próxima fase, eu seja um professor melhor. Essa é a minha missão. Eu tenho que ter uma quadra para treinar. Para mim, isso é essencial, é vida. Ali, eu troco, eu faço, eu aprendo muito, eu erro muito, eu peço desculpas, acerto também. Ali, é o meu divã – disse Bernardinho.

Em um programa de TV, o técnico foi homenageado com réplicas das medalhas olímpicas que ajudou o Brasil a conquistar. O treinador agradeceu o presente, mas afirma que gostaria de seguir influenciando a vida de outras pessoas em um novo cargo.

– As réplicas das medalhas são bacanas, são lindas, são simbolismos. Mas esse afeto, esse sentimento, essa consciência de que, de alguma maneira, eu impactei, eu influnciei a vida dessas pessoas, isso para mim é tudo. Eu recebi coisas lindas, emocionantes. Eu quero poder continuar fazendo isso. Se eu encontrar um local, uma função, onde eu possa continuar a influenciar as pessoas, com aquilo que eu acredito que sejam os valores mais importantes.

O treinador lembra que teve seu nome cogitado para ser candidato ao Governo do Rio de Janeiro em 2014. A candidatura não saiu do papel. No entanto, o técnico não descarta a ideia de entrar na política.
– Começou em 2014, essa coisa de me lançarem candidato a governador do Rio. Dois partidos especificamente fortes me entendem como um personagem interessante, para abraçar uma bandeira e lutar por alguma causa. Tudo começa com uma causa. Eu, quando eu largo a economia e volto para o voleibol, eu tinha uma causa. As pessoas têm aversão à política, “sistema horroroso”, “sistema sujo”. É óbvio que não é tudo assim. E nós não podemos deixar que isso não se perpetue. Há de se mudar isso.

Depois da Olimpíada, Bernardinho teme que os investimentos no esporte diminuam no Brasil e acredita que pode lutar por melhorias.
– Não está na hora de desistir, está na hora de lutar pelo esporte brasileiro, que precisa de tanta coisa. Quem sabe eu não possa também lutar por isso? Para mudar a estrutura do futebol brasileiro, o sistema do esporte brasileiro. O quanto o esporte é tão irrelevante na vida do país. Claro que a Olimpíada valeu a pena, foi linda. Mas por enquanto o que a gente viu de legado? Nada. Nós estamos em uma luta para conseguir manter o esporte. Eu tenho medo disso, de ter acabado a “bolha”. Mas não pode ser uma “bolha”, tem que ser uma onda, que continue levando.

Na opinião do técnico, a Olimpíada deixou como principal legado as conquistas de atletas brasileiros, que podem inspirar os jovens a buscar os mesmos resultados.

– O grande legado olímpico é mostrar a milhões de jovens que eles têm que acreditar, porque é possível. O grande legado olímpico é a história do Serginho, da Rafaela Silva, do Isaquias. Não é o grande ginásio, que hoje está sem uso. Isso é ok, temos um bom ginásio. É bom, mas não é o mais importante. As pessoas me perguntam: “O que eu faço com um jovem que não acredita?” Mostre a ele uma história real, que não é apenas uma fábula. Mas a criança tem que estar na escola. Existe esporte de qualidade na escola pública hoje? É a exceção da exceção da exceção.

Bernardinho tem ainda mais uma meta em Olimpíadas: poder assistir apenas como torcedor às disputas de todos os esportes, não só do vôlei.

– Eu quero ir para uma Olimpíada, depois de muitas Olimpíadas, para assistir à Olimpíada, ver outros esportes. Eu via pela televisão, na nossa salinha, torcia e depois voltava para estudar. Assim foram as minhas últimas seis Olimpíadas. Eu não vi nenhum outro jogo ao vivo, de nenhum outro esporte. Nunca fui a nenhum lugar. Nem no Velódromo eu fui. Meus amigos me mandavam vídeos. Eu não pude nem ver. Não fiz nada disso.

Com informações do UOL

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