Bernardinho recusa propostas e descarta volta à seleção no futuro: “Nem é justo”

Tentar se manter mais próximo à família talvez tenha sido a grande mudança na nova rotina de Bernardinho. O tempo, ele diz, continua curto, mas pela primeira vez o treinador conseguiu ir a uma reunião de pais na nova escola de Vitória, de 7 anos. Júlia, a mais velha das meninas, com 15, também tem se acostumado com uma maior presença do pai nos eventos. A cabeça do técnico, porém, não para. Também na segunda-feira, mas pela manhã, se reuniu com as comissões das seleções masculinas. Foi chamado para ajudar no processo de definições para o novo ciclo olímpico, ao lado de Renan Dal Zotto, que assumiu seu lugar na equipe principal, e dos responsáveis pelos times de base, como Giovane Gávio.

Bernardinho diz que ainda não se acostumou ao fato de estar fora da seleção. Às vezes, se pega pensando no planejamento, mas se obriga a parar. Quer deixar o caminho livre para que Renan tome suas próprias decisões, ainda que se disponha a ajudar. Por isso mesmo, sequer cogita um retorno futuro ao cargo que ocupou por 16 anos, com dois ouros e duas pratas olímpicas.

– O Bruno me falou: “Nada na vida é eterno”. Mas, certamente, na seleção, as coisas estão muito bem encaminhadas. Então nem penso nisso. Nem é justo. Agora é trabalhar no que tem de ser e trilhar novos caminhos. Que a vida me reserve novos caminhos. Levar o Bernardinho daqui para onde for.

O anúncio de que deixaria a seleção animou o mercado internacional. Era de se esperar que Bernardinho recebesse uma série de sondagens, principalmente de seleções e clubes da Europa. Duas chegaram, inclusive, a virar propostas oficiais. No momento, porém, o técnico descarta. A única coisa que anima o treinador é um convite futuro para trabalhar em universidades dos Estados Unidos.

– Recebi duas propostas de fora. Sondagens fortes. Seleções e clubes, mas não faria sentido sair da nossa seleção para outra seleção. Não faria sentido. Nem tenho nenhuma vontade. Clube, melhor o meu time. Largar o meu clube não tem sentido. Mas uma coisa que me fez pensar um pouco foi a ideia de ir para os Estados Unidos. Com calma. Uma decisão em cima da outra não existe. Quem sabe no futuro, com calma, em alguma universidade lá. Poderia ser uma oportunidade de vida interessante. Para as meninas, para a Fernanda (Venturini, com quem é casado), que poderia desenvolver o inglês dela, viver um tempo lá. Isso se o (Donald) Trump permitir também… (risos). O resto não me seduz.

A reunião com os técnicos das seleções brasileiras certamente não foi a última. Ainda que não tenha um cargo oficial junto à Confederação Brasileira de Vôlei, Bernardinho não quer se distanciar tanto assim. Afirma que estará sempre à disposição, mas evita um compromisso exclusivo. Por enquanto, à frente do Rio de Janeiro, mantém a rotina intensa. Mas quando acabar a Superliga…

– Aí eu vou querer ver como vai ser. Falaram que queriam fazer uma reunião todas as segundas-feiras em Saquarema. Mas não quero me comprometer com nada ainda. Se eu me comprometer, vou ser o primeiro a chegar lá para fazer. Vamos deixar as coisas com calma. Está tudo bem encaminhado. A ficha ainda não caiu totalmente. A seleção, todo mundo tem uma opinião a respeito. Todo mundo fala alguma coisa. E, confesso, não é algo que eu lide com serenidade. É uma coisa ainda difícil, sofrida. Uma coisa com tanta intensidade, durante tanto tempo, ir assim e acabou? Eu, com certeza, ainda acordo e penso. E penso em algumas coisas e falo: “Não, cara, não é por aí. Vamos seguir”. É um processo natural.

Com informações do UOL

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