Relação de Micale e Tite estremeceu por Olimpíada, baixas e não à seleção B

O que começou como uma parceria promissora para o futebol brasileiro durante a Olimpíada terminou com afastamento. As críticas de Rogério Micale a Tite e a forma como o treinador da seleção principal evitou o tema na última sexta-feira (03) mostraram de forma clara que as feridas estão abertas.

A principal razão para o afastamento, conforme apurou a reportagem, está ligada a uma mágoa de Micale sobre Tite: ele jamais se posicionou publicamente de forma clara para dar os méritos do ouro ao colega de CBF. Outros pontos que surgiram na esteira desse fato contribuíram para que, eliminado do Sul-Americano Sub-20 e sem vaga no Mundial, Rogério fosse demitido pela entidade meses após a medalha inédita.

O nome mais cotado para assumir a equipe é Osmar Loss, do Corinthians. Outra possibilidade é Sylvinho, auxiliar de Tite na seleção principal.

Abaixo, veja os principais motivos para o distanciamento dos dois treinadores:

Méritos pelo ouro olímpico

As participações de Tite durante a Olimpíada sempre tiveram o apoio de Rogério Micale. O treinador, assim como seus auxiliares, acompanhou treinamentos preparatórios e se aproximou da seleção sub-23 em Salvador, antes do jogo que marcou a virada da campanha, contra a Dinamarca. Essa presença na Bahia ajudou a se difundir uma ideia de que Tite havia ajudado Micale a reorganizar a equipe na hora H.

Essa ideia, equivocada de acordo com todos os envolvidos, incomodou o treinador campeão olímpico. Não apenas essa tese que foi espalhada, mas também o fato de Tite jamais ter publicamente esclarecido que participou apenas de refeições com o grupo e teve conversas mais protocolares. A reorganização da equipe em Salvador foi feita por Micale, pelo auxiliar Odair Hellmann e também teve as participações de Renato Augusto e Neymar.

Afastamento e silêncio sobre metodologia

Desde o fim da Olimpíada, Tite e Micale praticamente não conversaram mais, ainda que o treinador da seleção principal tenha adquirido o hábito de trabalhar quase diariamente na CBF e que o treinador da Sub-20 tenha se mudado para o Rio de Janeiro.

O incômodo também cresceu porque Edu Gaspar, assim como Tite, alegou ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que gostaria de padronizar um estilo para as equipes de base com as mesmas ideias da equipe principal. Micale, que tem alguns princípios de jogo diferentes, jamais foi chamado para uma conversa sobre a metodologia de trabalho ou para algum tipo de adequação. Vale se lembrar que ele foi contratado por Gilmar Rinaldi, antecessor de Edu.

Desdém à ideia de uma nova seleção

Com a conquista olímpica, Micale idealizava um crescimento na carreira. Uma possibilidade seria assumir alguma equipe profissional, mas outra seria levar adiante um projeto pessoal que considerava fundamental para o futebol brasileiro. No fim do ano passado, o treinador propôs à CBF não apenas seguir como treinador do time Sub-23 para os Jogos de Tóquio, mas também algo que tratava como mais importante.

A ideia era que os jogadores com idade para os já encerrados Jogos do Rio de Janeiro formassem uma espécie de seleção B, que trabalharia nas mesmas datas do time principal. Micale acreditava que essa equipe seria uma transição importante para nomes que ainda não estão prontos para Tite, mas com potencial para alcançar esse nível em médio prazo. O projeto não foi aceito.

Perda de analistas para a seleção principal

Considerada a menina dos olhos do coordenador Erasmo Damiani, a rede de observadores e o banco de dados montado sobre jogadores jovens foi reduzido pela seleção principal. O grupo de seis profissionais foi uma conquista ainda dos tempos em que Gilmar Rinaldi era o diretor de seleções, mas sofreu cortes.

De imediato, o analista de desempenho Maurício Dulac foi levado da base para a seleção principal, sem que a vaga fosse reposta. No fim do ano, Dulac deixou a CBF e foi substituído pelo ex-auxiliar corintiano Fernando Lázaro, escolha de Tite e Edu Gaspar. Outros dois profissionais deixaram o setor. Ao pedido para novos contratados, Edu sugeriu que um estagiário fosse escolhido para a função.

Falta de apoio no Sul-Americano

Competição que foi o estopim para a saída do treinador campeão olímpico, o Sul-Americano não gerou grande mobilização na entidade. Além de reclamações internas pela falta de força nos bastidores – Micale chegou a ser suspenso de uma partida a duas horas do início -, a comissão de Tite também não foi presente como em outros momentos.

Segundo Micale disse ao Diário Lance, apenas um treinamento na Granja Comary teve a visita de Cléber Xavier, auxiliar técnico da seleção principal. Na Olimpíada, o respaldo da comissão técnica de Tite havia sido um ponto considerado crucial para a campanha que culminou com o título inédito diante da Alemanha.

Com informações do UOL

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