Paracatu derruba favoritismo do Gama e faz história no Candangão

Foi nos pênaltis. Foi longe de casa. Foi diante da pressão da grande torcida gamense que se fez presente no Mané Garrincha neste domingo (16). Foi contra os palpites de muitos que acompanham o campeonato e sabem da história do time alviverde. Foi diante de tudo isso que o Paracatu emplacou o nome do clube na história do Candangão. A Águia do Noroeste perdeu nos 90 minutos, mas venceu o Gama nos pênaltis e se classificou para as semifinais pela primeira vez na história do clube mineiro. É a primeira vez também que teremos um clube de Minas Gerais na semifinal do torneio do DF.

O jogo

O Gama tinha que correr atrás do prejuízo, já que o Paracatu era dono da vantagem por conta da vitória por 1 x 0 no primeiro jogo. Sabendo da necessidade de vencer, o Alviverde tentou imprimir um ritmo acelerado já no início da partida. O técnico Glauber Ramos, efetivado há apenas uma semana, escalou a equipe com três atacantes: Lucas Victor, Alvinho e Roberto Pitio. Foi a primeira vez no campeonato que o Periquito entrou em uma partida de forma tão ofensiva.

Mesmo ditando o ritmo do jogo, o Gama não conseguiu dar passes de qualidade aos três homens de frente. Pelo contrário: o time novamente dependia do jogo aéreo e das bolas paradas de Baiano para levar perigo ao Paracatu. Aos 16 minutos do primeiro tempo, o veterano cobrou falta sofrida pelo meia Michel Pires na entrada da área, mas o lance não assustou os mineiros porque Cabecinha cabeceou para a lateral. Um minuto depois, Baiano cobrou escanteio e Pitio cabeceou por cima do gol, levando perigo ao  arqueiro do Paracatu.

Com 20 minutos de jogo, o Alviverde abriu o placar. Michel Pires levantou bola na área e o goleiro Jordan espalmou em cima de Pitio. A bola bateu em cima do atacante e morreu dentro do gol. 1 x 0 Gama.

O jogo seguiu no mesmo panorama: o Gama tinha a posse de bola e recorria aos cruzamentos, bolas paradas e ligações diretas, já que não tinha criatividade para dar bons passes aos atacantes. O Paracatu se defendia e não ameaçava  Maringá. Aos 29 minutos, Baiano cobrou escanteio e Jordan saiu mal na hora de afastar, mas ninguém chegou na bola para empurrar  ao gol.

Aos 30’, o Paracatu ainda não tinha nem chutado no gol do Gama, mas bastou um ataque para os mineiros empatarem a partida. O meia Cabecinha arriscou chute, que foi para escanteio. Na cobrança, Dim cobrou rasante e o atacante Cleiton Júnior desviou para o gol. Gama 1 x 1 Paracatu.

Com o empate, o time do Paracatu começou a demorar propositalmente nas cobranças de bola parada para gastar o tempo. Enquanto isso, o Gama se lançava ao ataque. Aos 46’, Alvinho fez cruzamento para a área, Pitio cabeceou e o goleiro Jordan defendeu espalmando novamente no atacante gamense. Mesmo sentado, Pitio empurrou para o gol. A bola bateu na haste que sustenta as traves e ficou na rede pelo lado de fora. O lance arrancou gritos de gol da torcida alviverde que viu o lance de longe. Foi a última boa jogada do primeiro tempo.

Na segunda etapa, a partida começou lá e cá, e as equipes jogaram com velocidade. No entanto, o esquema tático dos dois times não mudou. Aos 19’, Alvinho levou perigo ao gol de Jordan após fazer cruzamento e ninguém escorar para o gol.

O lateral Dudu cruzou para a área, aos 20 minutos, o e Alvinho se preparou para fazer um grande chute. Quando a bola chegou, o atacante furou e protagonizou cena que arrancou risadas dos torcedores. A bola sobrou para Potita, que havia acabado de entrar, mas o atacante desperdiçou.

Dois minutos depois, foi a vez de Jeferson Paulista cruzar bola na área. Pitio dominou, girou em cima da marcação e bateu de esquerda, mas a zaga paracatuense afastou o perigo.

Aos 24’, o Gama chegou ao segundo gol. Sabe como? Isso mesmo, de bola parada! Baiano cobrou falta no canto do goleiro Jordan, surpreendendo o arqueiro. A bola bateu na trave e correu quase que por cima da linha do gol até a outra trave. Alvinho chegou para empurrar para o fundo das redes e colocar novamente o Periquito em vantagem: 2 x 1 Gama.

Aos 31 minutos, o Paracatu arriscou de longe com Carlos Henrique, mas a bola passou tirando tinta do travessão e assustando o goleiro Maringá.

Lances curiosos

Aos 33 minutos, um fato inusitado: o meia Thiago Coimbra, que chegou no Gama há mais de um mês e não jogou nenhum minuto sequer, levou cartão amarelo por reclamação, mesmo estando no banco de reservas. Isto é, o filho de Zico termina o campeonato com um cartão amarelo na conta sem nem ao menos ter entrado em campo. E nem vai entrar, porque o time está eliminado do campeonato e não tem mais competições a disputar no restante da temporada.

Aos 38 minutos, mais uma cena que merece reprodução. Percebendo o ímpeto do Gama em buscar o gol que classificaria a equipe, o técnico do Paracatu, Rúbio Guerra, pediu aos jogadores do time mineiro que começassem a “fazer cera”, isto é, gastar o tempo para que a partida acabasse logo. Não satisfeito em pedir, Guerra chamou o atacante Din para conversar e empurrou o atacante ao chão, para que o atleta simulasse uma suposta lesão e pedisse atendimento médico. O teatro dos dois não colou e o jogo seguiu.

Voltando à partida

De volta ao jogo, a coisas já estavam se encaminhando para a disputa por pênaltis. As comissões dos dois times começavam a pensar nos possíveis batedores enquanto os jogadores se preparavam em campo. O apito final veio para decretar o 2 x 1 ao Gama, resultado que levou o jogo às penalidades.

Pênaltis

Pitio, Jeferson Paulista, Gordo, Potita e o experiente Baiano estavam convocados a cobrar as penalidades pelo lado do Gama. Ademir, Paulinho, Breno, Carlos Henrique e Renato iriam decidir as coisas para o Paracatu. Maringá e Jordan tinham a missão de parar esses atletas.

As cobranças começaram com Pitio e Ademir colocando a bola na rede. Já na vez de Jeferson Paulista, o quadro não continuou o mesmo. O meia parou nas mãos de Jordan, que pegou a cobrança de Gordo em seguida. Enquanto isso, Paulinho e Carlos Henrique converteram a favor do Paracatu. Breno mandou a bola para fora.

Até que chegou a vez de Baiano fazer a quinta e última cobrança do Gama. Um dos melhores cobradores de bola parada do campeonato, decisivo para o Alviverde em vários jogos, tinha a responsabilidade de converter o pênalti para manter o time na disputa. Aconteceu o improvável! Jordan mostrou competência e pegou a penalidade, classificando o Paracatu à semifinal do Candangão. E o resultado dos pênaltis ficou 3 x 2 para o Paracatu.

Ao final da partida, o atacante Cleiton Júnior falou ao Esporte Candango: “Hoje o jogo foi bem importante para nós. A gente passou de fase e classificou o time para a Copa Verde. Mas ainda tem muita coisa pela frente”, analisou Cleiton.

Também após o jogo, o veterano Baiano criticou o regulamento do campeonato. “Você luta durante toda a primeira fase para ter uma vantagem e no final isso não tem efeito nenhum”, afirmou. Em relação à decisão contra o Paracatu, o meia acredita que o resultado final foi injusto. “Pelas partidas que o Gama fez nos dois jogos eu acho que foi um pecado a decisão ter sido nos pênaltis. Mas futebol é isso aí”, lamentou Baiano.

Agora, o Paracatu segue no campeonato e irá enfrentar o Ceilândia no estádio Frei Norberto, no meio de semana, pela semifinal do Candangão. Já o Gama ainda não tem atividades previstas para o restante da temporada.

FICHA TÉCNICA

Candangão 2017 – Quartas de Final
Estádio Mané Garrincha, Brasília-DF
Domingo, 16/4/2017 – 15h30
Público pagante: 1.446
Renda: R$ 13.434
Árbitro: Almir Camargo
A1: José Reinaldo
A2: Ciro Chaban
4º árbitro: Wales Martins
5º árbitro: Christofer Souza
Insp. Téc. Arbitr.: Raimundo Lopo

   GAMA 2 (2) x (3) 1 PARACATU

Maringá
Dudu Gago
Eduardo
Rodrigo Bronzatti
Felipe Assisyellow-card
Baianoyellow-card
Michel P.arrow-rightarrow-leftGlaybsonarrow-rightarrow-leftJeferson P. Gordo
Lucas Victorarrow-rightarrow-leftPotita
Alvinhogoal24’/2T
Roberto Pitiogoal20’/1T
Jordan
Renatoyellow-card
Breno
Humberto
Paulinho
Léo Cruz
Cabecinha
Carlos Henriqueyellow-card
Diegoarrow-rightarrow-leftDiógenisyellow-card
Dimarrow-rightarrow-leftJoão Lucas
Cleiton Júniorgoal24’/1T arrow-rightarrow-leftAdemir
 Técnico: Glauber Ramos
 Técnico: Rubio Guerra
Gol:goal Cartão Amarelo:yellow-card Substituições:arrow-rightarrow-left

 

Por Willian Matos

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